Devocional

Uma palavra de consolo

12/1/2010

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Uma palavra de consolo

O SENHOR é bom, uma fortaleza no dia da angústia; ele conhece os que confiam nele. Naum 1.7

Introdução
Sabemos pouco sobre o profeta Naum. Ele não é citado em nenhum outro lugar da Bíblia, a não ser em seu livro. No entanto, é provável que a cidade em que Jesus morava, Cafarnaum, cujo significado é “vila de Naum”, seja uma homenagem ao profeta. Provavelmente Cafarnaum foi construída sobre a cidadela Elcós, de onde se origina Naum (1.1).

A mensagem de Naum é muito rica. Percebe-se isso já pelo seu nome, que significa “o Senhor consola”. Apesar de afirmar que o Senhor é “Deus zeloso e vingador” (1.2), que ele “não inocenta o culpado” (1.3), o profeta também afirma que o Senhor “demora para se irar” (1.3). Então, sua mensagem é de juízo, mas seu nome é de consolo. A ideia é que o Senhor punirá a injustiça, mas confortará aqueles que esperam por ele.

Em 1.7, encontramos uma pérola da teologia do Antigo Testamento. Nesse trecho, encontramos uma palavra de consolo, que condiz muito bem com o significado do nome “Naum”. Há, nesse verso, três afirmativas sobre Deus.

1. O SENHOR consola, porque ele é bom
Há uma pequenina frase em Naum 1.7, mas com um grande sentido teológico: “Deus é bom”. No contexto de Naum não era fácil fazer tal afirmação, pois a injustiça parecia reinar. Na época do profeta, Nínive, uma das cidades mais opressoras do mundo antigo, reinava absoluta. Ela era a capital do poderoso império assírio. Seu poderio militar era pomposo e assustador. Os povos a temiam. Era uma cidade conquistadora, que arrasava os pequenos países, levando seus habitantes como escravos, a fim de trabalharem em suas construções.

Em muitos momentos, a Assíria ameaçou o povo de Deus (Is 36-39). Ela confiava em seus deuses, e julgava-se capaz de mandar em todas as nações pequenas. No meio dela, as pessoas maquinavam o mal contra as pessoas e contra Deus (1.11).

De fato, a época de Naum foi difícil, como ocorre em nossos dias: violência; opressão; sofrimento de pessoas justas; prosperidade de corruptos. Em meio ao crescimento do mal, muitas pessoas têm dificuldades de crer no amor de Deus. “Como pode Deus ser amor, se há tantas injustiças?”, perguntam.

Mas a Palavra de Deus afirma que Deus é amor, independente das circunstâncias. “Deus é bom”, diz Naum, apesar de Nínive parecer indestrutível.

Se você olhar para cruz de Cristo, verá o amor de Deus. Jesus amou, e amou até o fim (Jo 13.1). Deus é amor. No entanto, se você olhar ao redor da cruz, verá  pessoas blasfemando, verá religiosos corruptos matando o Mestre da vida, verá um império romano perseguindo os fracos. Portanto, meu conselho é: não olhe ao redor da cruz; olhe para cruz, e contemplará o amor de Deus revelado.

Muitas pessoas não conseguem crer no Deus do amor porque avaliaram Deus pelas circunstâncias. Mas Deus é Deus, independente do que aconteça. Aprendamos com Naum!

2. O SENHOR consola, porque ele é uma fortaleza
A segunda afirmativa de Naum sobre Deus é: o Senhor é uma fortaleza no dia da angústia. Para entender essa afirmação, precisamos mais uma vez voltar à época do profeta. 

A injustiça propagada por Nínive iria sucumbir. Essa é a mensagem de Naum. De fato, isso aconteceu no ano 612 a.C., quando, segundo a Crônica Babilônica, uma coligação de medos e caldeus pôs fim ao império assírio. Os assírios, inimigos do povo de Deus, sofreram uma “inundação transbordante” (1.8). Segundo alguns historiadores gregos e romanos, uma grande inundação do rio Tigre derrubou as muralhas de Nínive, abrindo uma brecha para que os invasores acabassem de vez com a capital da maldade. Assim, as seguintes palavras de Naum se cumpriram: “As comportas dos rios se abrem, e o palácio é destruído. ” (2.6).

Portanto, os ímpios tiveram suas muralhas rompidas pela correnteza. Não tiveram refúgio mediante o ataque do inimigo (1.8). Mas, em contraposição aos ímpios, os fiéis têm o Senhor por “fortaleza” (1.7). Mesmo que os crentes enfrentem correntezas, jamais serão arrastados.

Reflita no exemplo do rei Davi: mesmo sendo perseguido pelo próprio filho, que ambicionava depor o pai para ocupar seu trono, Davi podia deitar e dormir em paz (Sl 3.5). Por quê? Porque o Senhor era o seu “escudo” (Sl 3.3). Com o coração cheio de fé, Davi afirmava: Clamo ao SENHOR com a minha voz, e ele me responde do seu santo monte (Sl 3.4).

À semelhança de Davi, há tantos hoje que sofrem por problemas familiares terríveis. Os lares hoje são mais marcados por brigas e inimizades do que por paz e aconchego. Se essa é a sua situação, se as correntezas têm batido contra a sua casa, você pode levantar sua voz e afirmar que o Senhor é a sua fortaleza!

Talvez a correnteza tenha invadido outras áreas de sua vida, mas saiba: quando você tem o Senhor por fortaleza, por mais forte que seja o temporal, sua vida jamais será arrasada.

Na época de Naum, o Senhor estava preparando um grande livramento para Judá. O jugo de Nínive, que estava sobre o povo de Deus, seria quebrado (1.13). Judá poderia voltar novamente a celebrar suas festas (1.15). Há tantos hoje que precisam voltar a celebrar ao Senhor! E hoje é o dia de anunciar as “boas-novas” (1.15), porque o “homem vil” já passou.

3. O SENHOR consola, porque conhece aqueles que nele se refugiam
O Senhor conhece os seus. Essa é a terceira afirmação de Naum. Por várias paginas das Escrituras, podemos contemplar a maneira como Deus conhece aqueles que o servem.

O Senhor chama pelo nome
O Senhor chamou o jovem filho de Elcana e Ana pelo nome: “Samuel, Samuel”. Deus chama pelo nome! Pois o nome é o que há de mais pessoal em nós. Fico constrangido quando esqueço o nome de alguém. Afinal, o nome é a própria identidade da pessoa.

Deus tinha uma tarefa especial para Samuel, e chamou-o pelo nome. Foi assim que o Senhor Jesus fez com Paulo (At 9.4). Certamente o Senhor também quer fazer uma obra através de sua vida, e ele o convoca pelo nome. Deus não chama uma multidão. Ele chama cada um, individualmente.  

O Senhor conhece toda a sua vida
Deus não conhece um povo. Deus conhece cada um. Não há um fio de cabelo que caia de sua cabeça sem o Senhor saber. Ele sonda todos os seus pensamentos, conhece cada detalhe de sua vida (Sl 139.1-6) e conta cada uma de suas lágrimas. 

Lembre-se da mulher samaritana (Evangelho de João 4). O Senhor Jesus lhe pediu água. Mas, aquele que pediu água, na verdade, tinha a água da vida para oferecer. É a água que mata a sede da alma. E, ao oferecer essa água àquela mulher, o Senhor demonstrou conhecê-la muito bem: afirmou que ela já tivera cinco maridos, e aquele com quem morava não era seu marido (Jo 4.16-18). Jesus conhecia o passado e o presente da mulher samaritana. Era um passado marcado por divórcios e derrotas, e um presente marcado pelo pecado da fornicação. Conhecia cada detalhe da vida dela. E o Senhor ofereceu a ela a água da vida, que iria apagar o passado e o presente marcados por derrotas.

Assim, é preciso que você entenda esta verdade: o Senhor conhece suas derrotas. Ele conhece toda a sua vida. Saiba que você não é só mais um em meio à multidão.  Talvez muitos não saberão o seu nome, mas ele estará registrado no Livro da Vida. O sangue de Cristo estará sobre você. O Espírito de Deus estará em você. A Bíblia diz que Deus conhece os que são seus (2Tm 2.19).

Realmente o Senhor conhece aqueles que nele se refugiam! Por isso, pergunto: onde ou em quem você tem se refugiado?

Conclusão
“O Senhor consola”. Esse é o significado do nome “Naum”. Em Naum, lemos uma palavra de consolo para o coração atribulado.

O Senhor é Deus vingador para prepotentes e descompromissados com a justiça, mas é Deus Consolador para aqueles que esperam em seu nome. 

 

  • 1 COMENTÁRIO(S)

Fabrícia Helena Bittencourt Senna | Rio de Janeiro/RJ | 16/04/2012 18:04:30
Esta palavra de consolo é extremamente eficaz, pois, à medida que lemos, principalmente junto a uma boa reflexão como a que foi dada, somos fortalecidos. Estou passando por dias de angústia e confesso que ao ler esta mensagem, sinto-me amparada pelo Espírito Santo de Deus. Eu confio em Deus e espero nEle a sua justiça, certa de que Ele transformará o meu choro em riso e louvor. Minha verdadeira alegria está em Jesus que salvou a minha vida, porém tenho fé de que dias melhores virão.

 

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  • AUTOR

Luciano R. Peterlevitz

Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica.

 

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