Teologia histórica

De Genebra para Guanabara

A história dos primeiros missionários evangélicos no Brasil

27/04/2017 14:45:27

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De Genebra para Guanabara O século XVI foi marcado por profundas mudanças na Europa. Com as Grandes Navegações, houve a descoberta de um novo mundo com sérias implicações políticas, econômicas, sociais e religiosas. Portugal e Espanha detinham a hegemonia dos mares na primeira metade do Século XVI e foram nações pioneiras no descobrimento e conquistas dos povos além mar. Esses países conquistadores estabeleceram suas colônias nesse novo mundo de mistérios, fascínios, riquezas e perigos.

Com o advento da Reforma Protestante do século XVI, as nações europeias se posicionaram a favor ou contra o protestantismo. Portugal e Espanha resistiram ao movimento protestante, sufocando-o em seus territórios por meio de uma deliberada e intensa perseguição. Em outros países, também houve resistência e perseguição e muitos buscaram refúgio em nações ou cidades-estados onde o protestantismo era tolerado ou já havia se estabelecido como religião do Estado. Boa parte da Suíça aderiu à fé reformada. Nesse cenário, a cidade de Genebra se destacou como refúgio para os reformados de outras nações e, também, como celeiro de obreiros para o pastoreio da igreja reformada em outras regiões do mundo.

Em dezembro de 1555, a expedição comandada por Nicolas Durand de Villegagnon chegou à baía de Guanabara. O objetivo era fundar uma colônia francesa, a qual chamaram de França Antártica. Esse empreendimento contou com o apoio do almirante Gaspard de Coligny (1519-1572), um simpatizante e futuro líder dos protestantes franceses.  Há exatos 460 anos, no início de março de 1557, a segunda expedição, sob a liderança de Bois-le-Comte (sobrinho de Villegagnon), chegava à França Antártica, primeira colônia francesa nas Américas. Naquele grupo de trezentas pessoas, catorze foram enviadas pelo reformador João Calvino, líder da igreja reformada em Genebra. Dois deles eram pastores, Pierre Richier e Guillaume Chartier. Começava ali a história dos primeiros evangélicos em solo brasileiro. O tempo deles aqui foi curto, porém muito significativo para memória da fé evangélica/reformada. Em 1557, foram eles que realizaram o primeiro culto protestante nas Américas (10 de março) e celebraram a Ceia do Senhor, de acordo com o rito reformado, na manhã do domingo de Páscoa do dia 21 de março. Eles também produziram a Confissão de Fé da Guanabara (1558), uma primorosa e verdadeira expressão da teologia reformada. Alguns deles foram mortos por causa da fé que professavam e seus corpos lançados na baía de Guanabara. Esses mártires foram as sementes da fé evangélica lançadas no solo brasileiro.

O Calvinismo na França


A Reforma Protestante eclodiu na Alemanha e logo se espalhou por vários territórios, chegando a França. As ideias reformistas foram bem aceitas por um grupo de intelectuais humanistas que, influenciados pela Renascença, eram críticos da Igreja por sua atitude reacionária diante das evidentes necessidades de reforma da igreja e da sociedade. O movimento encontrou apoio de grandes nomes do contexto religioso francês do século XVI. Dentre eles, alguns merecem destaque pelo pioneirismo e influência, sobretudo

Jacques Lefèvre, de Etaples (1455-1536), que se formou na Academia Platônica de Floresça, uma escola humanista que se preocupou em estudar os clássicos gregos e latinos, juntamente com os textos originais da Bíblia Sagrada. Entre os alunos, além de Lefèvre, estavam, John Colet, que exerceu liderança na Universidade de Oxford – Inglaterra;  Johannes Reuchlin, que se especializou na língua hebraica na Alemanha; Ximenes de Cisneiros, o professor da rainha da Espanha, fundador da Universidade de Alcalá e supervisor da Bíblia Poliglota Complutense.1

A eclosão da Reforma na França se deu por vários motivos. O descontentamento dos mercadores, negociantes e trabalhadores, tanto da cidade quanto do campo por conta dos abusos da Igreja; a opressão dos nobres também favoreceu um ambiente oportuno para aceitação dos postulados reformistas. A causa protestante da França também encontrou o apoio de algumas personalidades importantes da aristocracia francesa.

“Nobres preeminentes, como Gaspard de Coligny, seu irmão mais jovem François d’Andelot, o príncipe Louis de Condé e seu irmão Antoine de Bourbon, todos tomaram parte ativa na organização da revolta dos protestantes. O protestantismo gaulês adotou para sua teologia os Princípios, de Calvino; seu autor e a língua eram franceses e sua lógica empolgava o espírito francês.2

 O almirante Gaspar de Coligny, homem respeitado e de grande influência na corte francesa, fez tudo o que estava ao seu alcance para promover a fé reformada na França. “Até mesmo Margaret, irmã do rei, tornou-se membro de um grupo do qual participava Farel, Bude, o helenista, e Vatable, notável hebraísta. Meaux tornou-se o centro do pensamento destes humanistas, desejosos de reformar a Igreja Romana”.3
 
O francês João Calvino, o maior teólogo da Reforma, por meio de sua vastíssima obra exerceu grande influência sobre a igreja reformada na França. A partir de Genebra, Calvino apoiou a fé reformada em vários países, dentre eles a França, sua terra natal. Embora o movimento protestante francês tenha começado pela influência das ideias humanistas e luteranas, foi pela força do calvinismo que cresceu. Calvino foi o mentor intelectual da Reforma na França. Por sua deliberada decisão, mais de 155 pastores treinados na Academia de Genebra foram enviados para França para apoiar a crescente igreja reformada francesa. “A despeito de toda onda de violenta perseguição iniciada em 1538, os protestantes, desorganizados em várias correntes teológicas, se consolidaram num grupo organizado e consciente, em 1559, graças à ajuda de Genebra”.4  Essa nova realidade fica evidente no fato de que “por volta de 1561, haviam duas mil igrejas “reformadas” ou calvinistas na França”.5 Outro marco do florescimento da fé reformada na França foi a produção da Confissão Gaulesa, um documento contendo os pilares fundamentais da fé. O texto foi aprovado em maio de 1559 pelo Sínodo Nacional, reunido em Paris, sob a moderação do pastor François de Morel.

A perseguição contra os huguenotes6– designação usada para os protestantes calvinistas franceses –  sempre foi uma realidade na França, mas haveria de se intensificar terrivelmente. Henrique II decidiu exterminar a heresia protestante em solo francês. “Pelo Edito de Châteubriand (1551), a impressão, venda ou posse de literatura herética constituía crime grave e a persistência nas ideias protestantes devia ser punida de morte”.7 Como resultado desse edito muitas fogueiras foram acesas na França. Mais de 60 protestantes foram enviados à fogueira em três anos.

João Calvino escreveu muitas cartas de encorajamento aos huguenotes na prisão. Embora todos os líderes da reforma na França esperassem muitas lutas e perseguições, nenhum deles, nem mesmo Calvino poderia imaginar algo tão terrível quanto o massacre da noite de São Bartolomeu.8 Em uma carta ao almirante Gaspard de Coligny, no dia 16 de abril de 1561, Calvino parecia prever que a fornalha da perseguição iria queimar com mais intensidade.

“Ainda que o mundo inteiro fosse cego e desdenhoso, e vos parecesse que todas as vossas dores tenham sido sofridas em vão, que baste para vos contentar que Deus e os anjos aprovam a vossa conduta. E, na verdade, deveria vos bastar o fato de que não podeis perder a coroa celestial, depois de batalhardes corajosamente pela glória do Filho de Deus, na qual consiste a nossa salvação eterna”.9 

É nesse cenário de intensa perseguição que muitos huguenotes buscaram refúgio em outros países. Quando Nicolas Durand Villegaignon apresentou o projeto da França Antártica, uma colônia francesa no novo mundo, o almirante Coligny pensou que seria uma excelente oportunidade e um bom lugar para que os huguenotes praticassem a fé com segurança e liberdade.10

O Brasil colonial e a França Antártica

Uma das glórias de Portugal foi a descoberta do Brasil em 1500. Essa proeza só foi possível pelos investimentos feitos na indústria naval no século anterior à descoberta e pela preocupação da Coroa portuguesa de perder a corrida expansionista para a Espanha, que, em 1492, havia descoberto a América, com Cristóvão Colombo. “A idade de ouro de Portugal teve início no século XV, quando o dinâmico terceiro filho de João, o príncipe Henrique, o Navegador (1394-1460), fundou um centro de explorações marítimas”. 11 Nesse período, as nações da Europa central estavam envolvidas em guerras políticas e conflitos religiosos, muitas delas preocupadas em consolidar ou expurgar as doutrinas da Reforma. “Quando o Brasil foi descoberto, a França estava ainda em plena luta pela sobrevivência, sob o reinado de Luiz XII, empenhando-se em consolidar a unidade e a ordem interna do país, depois do grande período de guerras”.12 

A história da França Antártica começa com Villegagnon, homem de espírito ambicioso e conquistador. Este encontrou dificuldades por conta de sérios desentendimentos políticos com o capitão da cidade de Brest, amigo pessoal do rei Henrique II. Ao compartilhar suas amarguras com um amigo, Villegagnon foi por este informado de uma terra chamada Brasil, “louvou ele extraordinariamente a sua temperatura, a sua beleza e a serenidade do céu, a fertilidade da terra, a abundância de víveres, as riquezas naturais e coisas outras de todo desconhecidas dos antigos”.13

A descrição do Brasil aguçou a cobiça de Villegagnon que a partir de então esforçava-se para viabilizar o seu projeto de conquista desse novo mundo de riquezas e oportunidades. Embora entusiasmado, faltavam-lhe os meios. Sendo assim, tornou-se sua obsessão providenciar os recursos necessários para sua empreitada além mar.

Após uma carreira militar cheia de altos e baixos, ele procurou o Almirante Gaspard de Coligny, um homem de grande influência na corte francesa, e por meio dele obteve o apoio do rei Henrique II para uma expedição colonizadora no Brasil. Depois de reunir um bom número de homens, recrutando-os inclusive em algumas prisões, partiu da França em julho de 1555, chegando à baía de Guanabara em novembro do mesmo ano.14

Embora a viagem tenha sido muito difícil, dadas as condições climáticas, a falta de água, o intenso calor e as pestilências de todo tipo, a expedição chegou ao Brasil, seu destino final. A viagem começou no porto francês de Havre no dia 16 de julho de 1555 e chegou ao Brasil no dia 10 de novembro de 1555. Aqui chegando foram bem recebidos pelo povo da terra, uma boa surpresa para Villegagnon e sua tripulação exausta de uma viagem que parecia não ter fim. Estabeleceram-se na ilha de Serigipe,15 na Baía da Guanabara. Não demorou muito para que surgisse o primeiro conflito entre os expedicionários. Uma conspiração contra Villegagnon foi articulada pelos descontentes, embora frustrada pela ação de três fiéis marujos escoceses.

Diante das muitas adversidades enfrentadas, Villegagnon demonstrou afeição pela Palavra e interesse em organizar uma igreja. Para tanto, pediu o apoio dos ministros de Genebra, os quais receberam a petição com entusiasmo e deram graças a Deus pela oportunidade de difundir o evangelho em terras tão distantes. Calvino, tal como Coligny esperava que a França Antártica fosse um refúgio para os huguenotes e prontamente atendeu à solicitação de Villegagnon.

... com o apoio do almirante francês, Gaspard de Coligny e do pastor genebrino João Calvino também seguiram quatorze cristãos reformados, os chamados huguenotes da França, entre eles dois pastores entusiastas, Pierre Richier e Guillaume Chartier. Outro participante foi o sapateiro e estudante de teologia Jean de Léry, o cronista que mais tarde publicaria uma interessante história sobre “Viagem à Terra do Brasil”, e que também, no ano de 1558, entregaria ao impressor Jean de Crespin, de Genebra, a triste história dos mártires e o texto da sua confissão de fé.16 

Depois de quatro longos meses no mar, a expedição chegou ao Brasil. “No dia 10 de março de 1557 chegava uma frota de três navios, colocada sob o comando do seu sobrinho, de Boissy, Senhor de Bois-le-Comte, com trezentos homens, operários e quatorze pregadores da doutrina reformista, alguns escolhidos diretamente por Calvino”.17  Em terra firme todos foram recebidos por Villegagnon com grande alegria, “foram dadas salvas, acesas fogueiras e não poupadas outras coisas de uso em momentos festivos”. 18 Em 31 de março de 1557, Villegagnon escreveu para Calvino agradecendo-lhe o envio de homens tão notáveis.19 No entanto, pouco tempo depois o cenário mudaria completamente. Aqueles que foram recebidos com alegria seriam expulsos com ultraje. Alguns perderiam a própria vida pela crueldade do Caim das Américas.20 Embora os católicos tenham acusado o pastor Richier de promover uma “campanha difamatória”,21 o martírio dos huguenotes é um fato irrefutável que depõe contra Villegagnon. Os relatos mais antigos desses fatos são expostos por Jean de Léry, um dos calvinistas presentes na expedição, que publicou o livro Viagem à Terra do Brasil em 1558.22

O conflito entre Villegagnon e os pastores calvinistas23


Os pastores começaram o seu trabalho e não durou para que fosse instalada a primeira crise. A controvérsia sobre a Santa Ceia foi protagonizada por Jean Cointac24  (dito Bolès), luterano que veio na expedição e que divergia da posição dos pastores reformados. O acadêmico de Sorbonne argumentou em favor da necessidade de acrescentar água ao vinho e usar pão sem fermento, bem como vestes sacerdotais e vasos sagrados. Villegagnon tomou partido de Cointac. A Ceia foi celebrada na Páscoa, de acordo com o rito reformado (embora tenha sido acrescentada água ao vinho), mas estava evidente que a relação entre Villegagnon e os calvinistas iria se deteriorar rapidamente. No mês seguinte, no dia de Pentecostes, houve mais um conflito durante a Ceia, pelos mesmos motivos.25 Outras controvérsias surgiram e “Richier e du Pont vendo-se completamente ludibriados pelo almirante, lastimavam a sua própria condição”.26
   
A permanência no forte de Coligny tornou-se inviável e os pastores calvinistas, entre outros dissidentes, acabaram sendo expulsos, indo para o continente onde viveram em condições bem adversas. Lá encontram outros pobres franceses que também haviam sido expulsos da ilha por Villegagnon.

Sem alternativa possível decidiram voltar para Europa. O regresso para a França não foi fácil, pois embarcaram em um pequeno e frágil navio, o Jacques. Por conta do iminente perigo de naufrágio, dos calvinistas, cinco voltaram para o continente onde foram presos por Villegagnon. Sob essas circunstâncias, “pela mínima coisa os injuriava e os ameaçava com pauladas, grilhões e outros castigos bárbaros. Tão dessarroado era o seu proceder que todos prefeririam que a terra se abrisse e os tragasse do que suportar um tirano tal como Villegaignon ”.27 Um deles conseguiu escapar temporariamente do martírio. “Jacques Le Balleur fugiu e foi para São Vicente. Levado preso para a Bahia, ficou encarcerado por oito anos, sendo então conduzido ao Rio de Janeiro, onde foi enforcado”.28 O alfaiate André la Fon, vacilou na fé negando suas convicções reformadas, sendo poupado por ser útil no seu ofício de alfaiate. Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre Bourdon entrariam para a história como os primeiros mártires protestantes das Américas.

Historiadores têm debatido sobre as razões pelas quais Villegagnon teria se levantado contra os calvinistas que ele mesmo tão bem recebera. A motivação principal era salvaguardar o seu futuro na França após sua expedição no Brasil. Sagaz e absolutamente egoísta, ele queria estar aliado com aqueles que estariam no poder em sua terra natal.

Dentre os possíveis motivos para tal atitude e sua inconsistência religiosa, aponta-se a interferência do cardeal de Lorena, Carlos de Guise, censurando a disposição de Villegagnon em aceitar os hereges em sua colônia e, ainda, praticar tal apostasia, tornando-se um deles. Na verdade, Villegagnon queria garantir o seu regresso e aceitação na França, após sua aventura em solo brasileiro.29

Confissão de fé da Guanabara

A Confissão de Fé da Guanabara foi escrita pelos calvinistas no curto espaço de 12 horas, sob intensa pressão de Villegagon que pretendia usar a confissão de fé para legitimar a condenação por heresia. A execução aconteceu no dia 9 de fevereiro de 1558. Mas antes de selar a fé com o próprio sangue, eles escreveram sua confissão de fé que se tornaria uma joia da fé evangélica.
Jean du Bourdel foi eleito para redigir o documento pelo fato de ser o mais instruído deles e ter domínio da língua latina. A Confissão da Guanabara contém as principais doutrinas da fé cristã, fundamentadas em textos bíblicos, com base nos credos e confissões da igreja antiga e com algumas substanciais citações dos pais da igreja. O professor Alderi de Souza Matos resume bem o belíssimo conteúdo desse tesouro da fé evangélica. 

A confissão, escrita originalmente em latim, tem a forma de um credo, pois a maior parte dos parágrafos começa com a palavra “cremos”. Todavia, sua extensão e variedade de temas a coloca na categoria das confissões de fé, comuns na época da Reforma. A seção introdutória faz uma bela aplicação do texto de 1 Pedro 3.15. Os dezessete parágrafos de diferentes tamanhos tratam de seis questões principais: (a) 1-4: a doutrina da Trindade e, em especial, a pessoa de Cristo, com as suas naturezas divina e humana; (b) 5-9: a doutrina dos sacramentos, sendo a Ceia tratada em quatro artigos e o batismo em um; (c) 10: o livre arbítrio; (d) 11-12: a autoridade dos ministros para perdoar pecados e impor as mãos; (e) 13-15: divórcio, casamento dos religiosos e votos de castidade; (f) 16-17: intercessão dos santos e orações pelos mortos. O texto revela grande conhecimento da Bíblia, da teologia e da história da Igreja por parte do autor. São feitas referências ao Concílio de Nicéia e seu credo, bem como a vários Pais da Igreja: Agostinho, Tertuliano, Ambrósio e Cipriano. O documento tem um forte teor bíblico e reformado, destacando pontos como a centralidade da Escritura, a natureza simbólica dos sacramentos, a supremacia de Cristo, a importância da fé e a eleição, entre outros.30

A Confissão de Fé da Guanabara31 é mais do que um conjunto de dogmas escritos em meados do Século XVI. Trata-se de um monumento erguido pela misteriosa e sábia mão da Providência exortando as futuras gerações de cristãos brasileiros “a batalhar diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 3). Os bastidores da Confissão de Fé da Guanabara são uma solene exortação a considerar que “foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29).


Bibliografia

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos Séculos. São Paulo: Vida Nova, 1984.

CALVINO, João. Cartas de João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

______________ Textos Escolhidos (Org. por Eduardo Galasso Faria). São Paulo: Pendão Real, 2008

CRESPIM, Jean. A Tragédia da Guanabara. São Paulo: Cultura Cristã, 2007

DURANT, Will. A Reforma: História da civilização européia. Rio de Janeiro: Record, 2002

HACK, Osvaldo Henrique. Sementes do Calvinismo no Brasil Colonial. São Paulo: Cultura Cristã, 2007

LÉRY de Jean. Viagem à Terra do Brasil. Belo Horizonte: Ed Itatiaia, 2007

MARIZ, Vasco e PROVENÇAL, Lucien. Os  franceses na Guanabara: Villegagnon e a França Antártica (1555-1557) – 3 ed. rev. e ampl. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015

MATOS, Alderi de Souza. Erasmo Braga, o Protestantismo e a Sociedade Brasileira. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

SCHALKWIJK, Frans Leonard. Igreja e Estado no Brasil Holandês. São Paulo: Cultura Cristã, 2004

TAVARES, A de Lyra. Brasil França ao Longo de 5 Séculos. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1979.

TAVARES, Luiz Fabiano de Freitas. Entre Genebra e a Guanabara. Rio de Janeiro: Topbooks, 2011.

WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.

ARTIGOS.

MATOS, Alderi de Souza. A Confissão de Fé da Guanabara. Disponível em http://www.mackenzie.br/7053.html Acessado em 20.02.2017

_______________________ O Primeiro Culto Prostestante no Brasil. Disponível em: http://www.mackenzie.br/6999.html. Acessado em 20. 02. 2017

 SCHALKWIJK. Frans Leonard. O Brasil na Correspondência de Calvino.
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_IX__2004__1/frans.pdf  Acessado em 20.02 2017

________________________________
1HACK, Osvaldo Henrique. Sementes do Calvinismo no Brasil Colonial. pp. 23-24
2DURANT, Will. A Reforma: História da civilização europeia. Rio de Janeiro: Record, 2002, pp. 436-437
3CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos Séculos. São Paulo: Vida Nova, 1984. p.256
4Ibidem, p. 257
5DURANT, Will. A Reforma: História da civilização europeia. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 437
6“Segundo Arlette Jouanna, a etimologia do termo é bastante complexa, tendo possivelmente dias diferentes origens imbricadas e superpostas: o termo alemão eidgenossen, significando “conjurados” ou “confederados”, era usado como identificação da facção genebrina que lutara contra o duque de Saboia pela liberdade da cidade, aparentando o termo angenotz na língua francesa desde meados de 1530; por outro lado, suas reuniões clandestinas evocavam as lendas populares da região de Tours, sobre o fantasma do rei Huguet ou Hugon (ver JOUANNA, p. 983). Citado por TAVARES, p.36. 
7Ibid. p. 437
8Por expressa ordem da Casa real francesa, com apoio da Igreja Católica, a repressão contra os huguenotes ensanguentou a França. O massacre da noite de São Bartolomeu aconteceu no dia 24 de agosto de 1572. Milhares de reformados franceses foram assassinados, dentre eles, o Almirante Gaspard Coligny. A perseguição se estendeu por vários meses e o número de mortos chegou aos milhares. Alguns historiadores sugerem 30.000 o número de vítimas. O Edito de Nantes, promulgado em 1594, trouxe relativa paz no cenário relgioso francês.
9CALVINO, João. Cartas de João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 168
10Alguns historiadores sugerem que o almirante Coligny ainda não havia se convertido à fé reformada na ocasião desse encontro com Villegagnon.
11MATOS, Alderi de Souza. Erasmo Braga, o Protestantismo e a Sociedade Brasileira. p.35
12TAVARES, A de Lyra. Brasil França ao Longo de 5 Séculos. Rio de Janeiro: Biblioteca do
Exército, 1979, p. 23
13CRESPIM, Jean. A Tragédia da Guanabara. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. p. 25
14Ibidem., p.10
15No ano seguinte a chegada da expedição começaram as obras da construção do forte Coligny, na ilha de Serigipe, atualmente ilha de Villegagnon. A ilha foi escolhida por sua estratégica localização militar.
16SCHALKWIJK. Frans Leonard. O Brasil na Correspondência de Calvino. Disponível em:
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_IX__2004__1/frans.pdf
17TAVARES, A de Lyra. Brasil França ao Longo de 5 Séculos. p.73
18CRESPIM, Jean. A Tragédia da Guanabara. p. 37
19Os missionários enviados por João Calvino foram: Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel (mortos na baía de Guanabara, em 1558), Jacques Le Balleur (morto em São Vicente, em 1567), André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jean de Léry (autor da obra Viagem à Terra do Brasil) e os dois pastores, Pierre Richier e Guillaume Chartier.
20Apelido que Pirre de Richier deu a Nicolas Durand de Villegaignon.
21“O próprio Léry, um dos calvinistas envolvidos, foi também um grande crítico dessa postura, e em alguns momentos nega diversas afirmações que diz serem caluniosas, tentando defender a honra do cavaleiro de Malta contra injustiças, apesar de ser seu inimigo”. TAVARES, Entre Genebra e a Guanabara, p. 58
22O livro de Jean de Léry tem sido considerado uma obra de excepcional valor histórico, etnográfico e até musical, tendo em vista que ele registra dois cânticos tupis (o mais antigo registro da música indígena brasileira). O livro teve ampla circulação na Europa e ainda hoje é editado. Em 2017, no aniversário de 450 anos  do martírio dos huguenotes no Brasil, a editora Itatiaia lançou uma edição especial.
23A historiografia católica faz outras leituras dos fatos e acusa os pastores calvinistas de serem mentirosos e caluniadores. André Thévet, frade franciscano que viveu na França Antártica por alguns meses, foi um dos antagonistas de Jean de Léry. Em seu livro Les Singularités de la France Antarctique, publicado em 1557, ele apresenta sua versão sobre os conflitos na colônia. Com o propósito de conhecer a posição católica sobre o assunto, vale a pena consultar a obra Os franceses na Guanabara, escrita pelos historiadores brasileiros, Vasco Mariz e Lucien Provençal. Vide a bibliografia.
24“Ele era luterano, doutor da Sorbonne, que iria dar algum trabalho às duas partes que entrariam em conflito e teria sido o traidor que levou os portugueses de Mem de Sá até o acesso secreto ao forte Coligny”.  MARIZ e PROVENÇAL, p. 126
25O escritor Chermont de Brito equivoca-se ao afirmar que “jamais Villegagnon deixou de acreditar na consubstanciação do corpo e do sangue de Cristo no pão e no vinho consagrados”. MARIZ e PROVENÇAL, p. 130. Villegagon era católico e acreditava no dogma da transubstanciação, o que é bem diferente da posição luterana (consubstanciação), bem como da doutrina reformada (presença espiritual).
26CRESPIM, Jean. A Tragédia da Guanabara. p.38
27Ibid, p. 53
28MATOS. Alderi de Souza. O Primeiro Culto Protestante no Brasil. Disponível em: http://www.mackenzie.br/6999.html
29HACK, Osvaldo Henrique. Sementes do Calvinismo no Brasil Colonial.p. 87-88
30MATOS, Alderi de Souza. A Confissão de Fé da Guanabara. Disponível em http://www.mackenzie.br/7053.html
31A Confissão de Fé da Guanabara pode ser encontrada na íntegra no site: http://www.monergismo.com/textos/credos/confissao_guanabara.htm

 

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Judiclay S. Santos

Judiclay S. Santos

É ministro da Convenção Batista Brasileira, filiado à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil. Graduado pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil-RJ, atualmente faz Mestrado em Divindade, com ênfase em teologia histórica pelo Centro de Estudos Andrew Jumper, da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP. Leciona no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos-SP. Há nove anos atua como pastor titular da Igreja Batista Betel de Mesquita, no Rio de Janeiro. Autor de dois livros: Os Sete Pecados de Caim: os descaminhos do filho de Adão e Ecos da Graça: Mensagens que iluminam a mente e aquecem o coração. Ambos pela editora Pro Nobis. Casado com Claudia de O Ribeiro Santos e pai de Leonardo.

 

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