Teologia

O despertar antropofágico da fé

A correta caracterização da Igreja Universal do Reino de Deus como seita paraprotestante que absorve e reelabora crenças e práticas do gradiente espírita-umbandista, e suas semelhanças genéticas com a Umbanda e a Cultura Racional

29/01/2018 11:50:21

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O despertar antropofágico da fé 1. Introdução

De todas as igrejas classificadas como “neopentecostais”,1 a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD, Igreja Universal ou Universal) é provavelmente a que mais contém os males do chamado “neopentecostalismo”. É também a maior igreja desse ramo no Brasil e uma das organizações religiosas mais disseminadas pelo mundo,2 o que justifica o empenho em sua análise demonstrado nas searas jornalística, eclesiástica e acadêmica (tanto na teologia como em ciências da religião e outras áreas).3

Não se pode negar a influência que essa instituição exerce sobre igrejas pentecostais e “neopentecostais”, com repercussão possível até mesmo em igrejas históricas.

Para cumprir o objetivo fundamental deste trabalho, que é o de comparar a Igreja Universal especialmente com a Umbanda e a Cultura Racional, dentro do gradiente espírita-umbandista, será de bom alvitre repisar alguns aspectos da seita fundada por Edir Macedo Bezerra, começando por traços de sua história, porque útil à argumentação.

O presente estudo tem um propósito pastoral e uma orientação teológico-confessional, sem prejuízo de (importantes) contribuições provenientes das ciências da religião: o propósito pastoral decorre da necessidade de alertar os crentes evangélicos sobre a natureza da ameaça que a Igreja Universal representa; já a orientação teológico-confessional se atém à concepção do autor, que é cristão, protestante, evangélico e pentecostal histórico.

2. Algumas informações históricas sobre a Igreja Universal do Reino de Deus

2.1. O começo


Edir Macedo Bezerra nasceu em Rio das Flores/RJ no ano de 1945, filho de um migrante alagoano e uma mineira, ambos de família católica.4

Ainda jovem, Edir Macedo ouviu a mensagem do Evangelho na cidade do Rio de Janeiro, na Igreja Cristã Nova Vida, uma denominação evangélica da Segunda Onda do Pentecostalismo5 dirigida pelo bispo canadense Walter Robert McAlister. Seu cunhado, Romildo Ribeiro Soares (R. R. Soares), também congregou ali.6

Embora quisesse se tornar pregador, Macedo não foi reconhecido naquela igreja, onde permanecera entre 1963 e 19757  (um dos pastores chegou a dizer que ele “não tinha futuro”).8

A ordenação pastoral de Macedo e R. R. Soares deu-se na Igreja Casa da Bênção, pelas mãos do missionário Cecílio Carvalho Fernandes.9

Juntos, Macedo, R. R. Soares e outros10 criaram a Cruzada do Caminho Eterno, cujas pregações se faziam primeiramente num coreto no Jardim do Méier, Zona Norte do Rio. O trabalho cresceu e eles foram buscando novos espaços para abrigar os ouvintes.11

Fundada, no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1977, por Edir Macedo e seu cunhado R. R. Soares, além de Roberto Augusto Lopes, a Universal12 passou, em 1980, ao comando de Macedo, enquanto Soares estabeleceu a sua Igreja Internacional da Graça de Deus depois de os pastores da Universal decidirem que Macedo devia ser seu líder.13

2.2. Poder midiático

Desde cedo houve interesse de Edir Macedo em conquistar horários em rádio e TV, o que se deu inicialmente na Rádio Metropolitana, como o programa O Despertar da Fé, e prosseguiu em outras rádios, passando pela compra da rádio Copacabana e pela aquisição de horários na TV Tupi no Rio e em São Paulo.14

A compra da TV Record (1989) abriu espaço para a força exponencial da Igreja Universal, que hoje é um “império de comunicação”, expressão incerta em sua biografia autorizada.15

Seguiu-se um período de rápido crescimento e controvérsia, com grandes concentrações e confronto com as Organizações Globo, de que são exemplos de reportagens no Jornal Nacional e no Fantástico, a minissérie Decadência (1995) e as discussões no programa 25ª Hora, da Record, com o objetivo de desacreditar a Globo perante a opinião pública - esse fenômeno foi chamado pela imprensa de “guerra santa”.

Como se provaria mais tarde, o uso da TV não era, em Edir Macedo, algo pertinente ao televangelismo clássico, mas inserido num contexto de ocupação de espaços políticos, sociais, comerciais, financeiros, ideológicos e culturais, além do espaço religioso.

2.3. Ostentação religiosa

Além de templos arranjados em salões que antes haviam abrigado cinemas e outros estabelecimentos, foram-se construindo templos suntuosos (catedrais) em cidades importantes, para, segundo o próprio Macedo, o pobre sentir “que é capaz de conquistar coisas grandes, uma vida melhor”.16

2.4. Poder político

Na seara política, a Universal avançou progressivamente, desde a eleição, em 1986, do deputado federal Roberto Augusto Lopes (um dos fundadores da instituição), com um número cada vez maior de vereadores, deputados estaduais e deputados federais.

Em 2002, o bispo Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo, à época no Partido Liberal (PL), foi eleito senador da República para o período de 2003-2010. Reeleito, ocupou o cargo de ministro da Pesca no governo de Dilma Rousseff entre 2 de março de 2012 e 17 de março de 2014.17

Depois de um longo período de inserção em diversos partidos, a Universal colaborou decisivamente para a fundação do Partido Republicano Brasileiro (PRB). A denominação já estava ligada ao poder federal e espalhada em diversas instâncias de poder pelo Brasil, mas agora tinha um partido próprio, onde poderia concentrar seus representantes. Mais recentemente, seu presidente, Marcos Pereira, que é bispo da IURD, licenciou-se do cargo para assumir o ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo de Michel Temer.

O maior êxito eleitoral da Universal foi certamente a eleição do senador Marcelo Crivella como prefeito da cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2016.

3. Nem cristã, nem protestante, nem evangélica, nem pentecostal

3.1 Considerações preliminares


Muito já se debateu sobre a Igreja Universal do Reino de Deus, geralmente classificada como “igreja neopentecostal” ou igreja da “Terceira Onda do Pentecostalismo”.

Na imprensa, na academia, no meio evangélico e entre as pessoas em geral, a IURD é mesmo considerada como “neopentecostal”, classificação posta em dúvida, como discutido a seguir, havendo elementos suficientes a demonstrar que não se trata de igreja pentecostal, tampouco cristã, protestante ou evangélica.

3.2. Igreja “menos pura”, “igreja desfigurada” ou seita?

Desde 2010, por força de decisão do seu Supremo Concílio, reunido na XXXVII Assembleia Geral, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB)18  declara a Igreja Universal do Reino de Deus como seita, assim como a Igreja Mundial do Poder de Deus – IMPD, comandada pelo autodenominado “apóstolo” Valdemiro Santiago, dissidente da Universal.
Confira-se o teor da resolução:
“RESOLUÇÃO XIX – Quanto ao documento 244: O SC/IPB-2010 RESOLVE: 1) com base no Relatório da Comissão Especial (CE-2007), determinada pela Resolução SC/IPB-2006-006, enquadrar a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) como seita; 2) com base na resolução do SC/IPB-2006-006, que reafirma a posição do SC/IPB-1998-117 e no relatório especial CE-2007, determinar que os membros oriundos da IURD deverão ser aceitos mediante batismo e profissão de fé”.19
Em 1998, a IPB recebeu de sua Comissão Permanente de Doutrina um relatório em que a Igreja Universal, apesar de entendida, àquela altura, como cristã, protestante, evangélica e “neopentecostal”, em razão do compartilhamento de doutrinas daqueles segmentos, veio a ser classificada como “igreja menos pura” e “igreja que se tem descaracterizado”20  (“igreja desfigurada).21

Tal classificação baseou-se na distinção que a Confissão de Fé de Westminster opera entre “igrejas mais puras” e “igrejas menos puras” e se deveu à sua hermenêutica deficiente, porque sumamente fulcrada na experiência individual e numa leitura não proposicional da Bíblia.22

Por determinação do Supremo Concílio no ano de 2006, o mencionado relatório foi atualizado, e em 2010 teve lugar a deliberação que resultou em declarar a Universal como seita (e não como “igreja menos pura” ou “descaracterizada”).

Embora a deliberação do Supremo Concílio tenha dissentido da recomendação do relatório, é válido percorrer os fundamentos deste porque foi com base nele que a decisão veio a ser tomada.

Os motivos consignados no referido documento foram os que seguem:

●    Uma cosmovisão, sobre o mundo espiritual, de corte pagão e dualista;
●    A doutrina de que crentes podem ficar endemoninhados, porque ser cristão seria estado, e não condição;
●    A crença em maldições hereditárias;
●    A doutrina de que a Ceia do SENHOR produz saúde física por meio do corpo de Cristo, e saúde espiritual mediante o Seu sangue;
●    A doutrina de que o batismo nas águas confere salvação, libertação de pecados;
●    Entendimento equivocado de dízimos e ofertas, dando-lhes caráter de “troca com Deus”, bem como um valor exagerado ao dinheiro;
●    Uso de objetos ungidos, com recurso a “elementos mágicos dos cultos e das superstições populares do Brasil”, conforme documento da Associação Evangélica Brasileira, que cita expressamente sal grosso, rosa ungida, água fluidificada, fitas e pulseiras, ramo de arruda e outros apetrechos;
●    Expulsão de demônios como principal ministério.23

Como se verá adiante, a Igreja Universal deve realmente ser entendida como seita

3.3. Por que a Igreja Universal não é pentecostal

Para um pentecostal histórico, deve ser ruim a consideração da IURD como “igreja neopentecostal”, pois se trata de movimentos amplamente distintos.

Uma das formas de classificar o Pentecostalismo brasileiro24 é a seguinte:

●    Primeira Onda25 do Pentecostalismo, Pentecostalismo Histórico ou Pentecostalismo Clássico (Congregação Cristã no Brasil, Assembleia de Deus): decorrência direta do Movimento Pentecostal (Estados Unidos, 1906), com ênfase no batismo no Espírito Santo evidenciado por línguas (1910);
●    Segunda Onda do Pentecostalismo ou Deuteropentecostalismo (Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil Para Cristo, Igreja Pentecostal Deus É Amor, Igreja Casa da Bênção, Igreja Nova Vida, entre outras): tendência com ênfase na cura divina e em inovações evangelísticas (a partir da década de 1950);
●    Terceira Onda do Pentecostalismo ou “Neopentecostalismo” (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Comunidade da Graça, Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Plenitude do Trono de Deus, entre outras): um conjunto diversificado de instituições com uma série de doutrinas, práticas e características heterodoxas, como Teologia da Prosperidade, ensinos do Movimento de Batalha Espiritual (quebra de maldições, mapeamento espiritual, espíritos territoriais etc.), restauração do ministério apostólico, fetichismo, traços judaizantes, pragmatismo, marketing agressivo, busca por espaços políticos e midiáticos, grande subjetivismo na interpretação das Escrituras, personalismo da liderança e hierarquia fortemente centralizada (a partir da década de 1970).

Paralelamente à Segunda Onda se pode citar o movimento de renovação em igrejas históricas, como a Batista, a Presbiteriana e a Metodista, dando origem a diferentes denominações com costumes carismáticos (Igreja Batista Nacional, Igreja Presbiteriana Renovada, Igreja Cristã Maranata).

Geralmente, as igrejas da Terceira Onda é que são tidas por “neopentecostais”, mas a terminologia não é precisa, pois a Casa da Bênção, por exemplo, conquanto da Segunda Onda, manifesta sinais de “neopentecostalismo”, como a restauração do ministério apostólico.

Feito este registro, deve-se ter em mente que o próprio Edir Macedo não parece muito preocupado em se definir pentecostal, e já escreveu: “temos de sair da mera pregação pentecostal, que está na moda, para a pregação plena”26

Diferentemente das igrejas pentecostais históricas ou da Primeira Onda (década de 1910), que enfatizam o batismo no Espírito Santo evidenciado pela glossolália (experiência de falar em línguas), e das igrejas pentecostais da Segunda Onda (a partir da década de 1950), que destacam a cura divina, as igrejas “neopentecostais” são caracterizadas por uma série de doutrinas e práticas heterodoxas, e a IURD, em especial, ultrapassa limites importantes.

Entre essas doutrinas e práticas heterodoxas (das igrejas “neopentecostais”) encontram-se ensinos da Teologia da Prosperidade (Confissão Positiva, Palavra da Fé ou Movimento da Fé); ensinos, táticas, estratégias e métodos do “Movimento de Batalha Espiritual”, a exemplo de quebra de maldições; grande subjetivismo na interpretação bíblica; marketing agressivo; ambição por espaços políticos e midiáticos; pragmatismo; personalismo da liderança; elementos judaizantes. Nem sempre as igrejas dessa categoria absorverão todas as características mencionadas, mas a descrição contribui para fornecer um gradiente.

Com acerto, há quem considere equivocado o uso do prefixo “neo”, porque sugeriria uma renovação do Pentecostalismo, algo que realmente essa categoria não promove. O bispo anglicano Robinson Cavalcanti afirma que “equiparar ambos os fenômenos não faz justiça à Igreja Universal e ofende a Assembleia de Deus”.27

Citando a dissertação de mestrado de Washington Franco, Cavalcanti apontou a alternativa “pseudopentecostalismo”, além da proposta “isopentecostalismo”, de sociólogos argentinos, ou “pós-pentecostalismo”, que atribui a “um estudioso”.28

Outra opção seria “hiperpentecostalismo”, para denotar uma “extrapolação do pentecostalismo anterior”, conforme sugestão do teólogo reformado FRANKLIN FERREIRA.29

É imenso o distanciamento entre a IURD e o Pentecostalismo. No curso deste trabalho, espera-se tornar isto mais explícito.

3.4. Por que a Igreja Universal não é protestante


De acordo com ROBINSON CAVALCANTI, as igrejas ditas “neopentecostais”, na realidade, não seriam nem cristãs, nem protestantes, nem evangélicas, nem pentecostais.30 E, aludindo à classificação sociológica das Testemunhas de Jeová, dos Mórmons e da Ciência Cristã como “seitas para-cristãs”,31 propõe a definição das  igrejas “neopentecostais” como “seitas para-protestantes”.

Fundamentalmente, o “Neopentecostalismo” é fruto de um afastamento entre certos segmentos cristãos e a herança da Reforma Protestante, consubstanciada nos Cinco Solas, a saber, Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria.

No caso específico da IURD, objeto deste artigo, há elementos suficientes para afirmar que tal instituição nega, na prática, o senhorio e centralidade de Cristo, a autoridade e suficiência das Escrituras, bem como a coesão da mensagem salvífica pela graça, mediante a fé.

O estudo da história da Igreja corrobora o caráter não protestante da Universal porque faz recordar posturas da Igreja Católica Apostólica Romana que hoje se veem evidenciadas na prática daquela agremiação, como a materialização da fé, por meio de relíquias e outros objetos; o comércio religioso; a excessiva centralização do poder eclesiástico, com função normativa no campo doutrinário; e o total descompromisso com as Escrituras.

Não por acaso, PAUL FRESTON considera a Universal “a mais católica das igrejas evangélicas”; R. VALLE e I. SARTI a enxergam como “uma reedição urbana do catolicismo popular tradicional”; para P. SANCHIS, nas palavras de ARI PEDRO ORO, seria ela “um fenômeno que, além de desafiar uma tradição cultural (a da cultura católico-brasileira), sabe reencontrar algumas das suas linhas mestras”.32

O próprio Edir Macedo insurgiu-se contra a “Teologia Protestante”, o que permitiu à Comissão de Doutrina da IPB entender que possivelmente, na concepção dele, a Universal não fosse mesmo protestante.33 É como se nem ele tivesse tal pretensão.

Não há, enfim, conexão credal entre os protestantes e a Universal, o que a torna uma instituição não protestante.

3.5. Por que a Igreja Universal não é evangélica


No plano da pregação, inicialmente a Universal adotou o discurso de que não era uma igreja evangélica, mas uma obra espiritual à parte, especial, a ponto de seus pregadores em rádio e TV buscarem a atenção do ouvinte “que é católico, evangélico, espírita, livre-pensador”.

Robinson CavalcantiI é certeiro:

Podemos afirmar, ainda, um segundo equívoco dos analistas: considerar a IURD e suas congêneres como ‘evangélicas’. Elas próprias, por muito tempo, relutaram em se ver como tal, pretendendo ser tidas como um fenômeno religioso distinto, e terminaram por aceitar a classificação ‘evangélica’ por uma estratégia política de hegemonizar um segmento religioso mais amplo no cenário do Estado e da sociedade civil. O evangelicalismo é marcado pela credalidade histórica e pela ênfase doutrinária reformada na doutrina da expiação dos pecados na cruz e na necessidade de conversão, ou novo nascimento”.34

De fato, a identificação da IURD como igreja evangélica veio a ser conveniente, em termos políticos, quando a instituição precisou do apoio da comunidade evangélica diante dos problemas havidos com as Organizações Globo e com a Justiça.

Popularmente, diz-se que são evangélicos, no Brasil, todos os cristãos não católicos, sem distinção, o que inclui uma quantidade enorme e diversificada de tendências protestantes.

A designação de “evangélico” (do inglês evangelical) pode se referir mais tecnicamente ao Evangelicalismo, movimento antigo (desde o Séc. XVII), internacional e não denominacional baseado nos elementos essenciais da Fé Cristã, destacando a necessidade de salvação pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, piedade pessoal e crítica ao ritualismo.

O Evangelicalismo Americano (Neo-Evangelicalismo), surgido em meados dos anos 1940, é uma tentativa de interagir com acadêmicos e com a sociedade em geral de modo persuasivo e racional.

Dito isso, é preciso deixar patente que o emprego de linguagem evangélica e de certas doutrinas evangélicas não torna a Igreja Universal uma igreja evangélica.

Com efeito, assim se expressa o relatório da Comissão Permanente de Doutrina da IPB sobre a IURD: “seitas não evangélicas costumam usar de terminologia cristã em seus ensinos, e afirmar doutrinas em comum com os evangélicos”.35

De modo sucinto, tem-se que a Igreja Universal não pode ser considerada um segmento autenticamente evangélico porque não se fundamenta na mensagem de Cristo para a salvação do pecador, não tem (verdadeiramente) a Bíblia como regra de fé e prática e não possui um conceito genuíno de conversão, que substituiu pelo conceito de “libertação”.

3.6. Por que a Igreja Universal não é cristã

Considerando que a Universal não seria pentecostal, evangélica nem protestante, resulta que não seria tampouco uma igreja cristã, o que a conduz ao campo religioso das seitas e heresias.

Em termos apologéticos,36  uma seita pode ser caracterizada, grosso modo, como um grupamento religioso dissidente, erigido em torno de um líder personalista e carismático, com princípios, métodos, linguagem e ênfase específicos, além de um projeto dotado de exclusividade e messianismo.

Para o teólogo pentecostal Ezequias Soares, “as seitas discordam do ensino básico e comum defendido nos ramos principais [das religiões]”,37 e “rejeitam a autoridade e inspiração das Escrituras”.38

Segundo José Apolônio da Silva, “o termo ‘seita’ indica uma facção dentro de uma religião organizada e, nesse sentido, é sinônimo de heresia”. E mais: “Uma seita herética, do ponto de vista cristão, é constituída de indivíduos ou de grupos que se afastam dos ensinos da Palavra de Deus para adotarem ou divulgarem suas próprias ideias ou ideias de outrem”.39

O discurso exclusivista da Igreja Universal é bem conhecido, como a propaganda de que ela “mudou a vida” dos fiéis, e de que a igreja consistiria, per se, numa obra de Deus. Para fins de contraste, tome-se o exemplo da Assembleia de Deus, denominação pentecostal histórica cujos pioneiros tinham consciência de ser ela uma igreja inserida no amplo Movimento Pentecostal, e não um movimento apartado.

O já mencionado relatório da Comissão de Doutrina sobre a IURD, aprovado em 1998 pelo Supremo Concílio da IPB, afirma que “a falta do (…) verdadeiro conhecimento [da teologia] produz homens arrogantes que pretendem possuir a ‘verdade’ que permanecera oculta através dos séculos — um sinal característico de seita”.40

Quando da emissão daquele importante documento, a IPB entendeu que a causa dos erros doutrinários da IURD seria uma hermenêutica deficiente, haja vista a manipulação das Escrituras para repetição ou reencenação de episódios bíblicos com um propósito de legitimação das práticas da igreja.41  Anos mais tarde, pode ter se tornado evidente à IPB que a deficiência hermenêutica da Universal, longe de ser causa, é consequência de uma atitude deliberadamente sectária.

Tendo em mira a prática de emprestar novos significados a passagens bíblicas no panorama da experiência religiosa, há se de recordar que uma das propostas do Liberalismo Teológico é que os relatos históricos da Bíblia seriam apenas o registro de experiências religiosas dos hebreus ou da Igreja, dando ensejo à noção de que o que importa é a fé e o sentimento religioso que o texto inspira.

Realmente, o “Neopentecostalismo”, em seu estado puro, aproxima-se da agenda teológica liberal por manipular as Escrituras a seu bel talante, sem compromisso com a verdade objetiva, desviando o foco para experiências pessoais e usando a linguagem, as histórias e os conceitos bíblicos como pretexto, material e ferramenta em favor de um projeto religioso e existencial alienado de Deus. É como se a proposta liberal de experiência religiosa houvesse sido aplicada à realidade pelos pregadores “neopentecostais”.

Esse aspecto já foi pontuado pelo teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes, ao asseverar que “existe uma certa relação entre o neopentecostalismo e o liberalismo teológico, perceptível a olho nu, como a primazia da religiosidade, o consequente relegar das Escrituras a plano secundário e o interesse pelo aqui e pelo agora em detrimento da escatologia”.42

Como o Liberalismo Teológico erigiu um deus diferente do Deus que Se revelou nas escrituras, o acolhimento, ainda que inconsciente, da proposta liberal pelos próceres da IURD contribui para seu distanciamento em relação à Igreja de Cristo.

Relativismo, subjetivismo, pluralismo e hedonismo, valores da pós-modernidade, concorrem para explicar, ao menos em parte, o problema da Igreja Universal, que talvez não existisse caso a experiência não fosse vista como vetor fundamental de aplicação bíblica.

Mas não é só: elementos da cultura pós-moderna, traços da personalidade de Edir Macedo e um tipo avançado de sincretismo religioso fizeram da Igreja Universal uma seita que imita a pregação, a teologia e a liturgia cristã, a começar pelo uso das expressões “Igreja” e “Reino de Deus”, mas que se afasta do Cristianismo em sua essência.
Especialmente sobre esse tipo avançado de sincretismo, aqui chamado de “antropologia da fé”, tratar-se-á mais adiante, sendo este o aspecto principal que ora se pretende destacar.

Cuida-se, em verdade, de uma seita que emula características de igreja cristã, como outras que já reconhecemos nessa situação, a exemplo das Testemunhas de Jeová e da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons).

4. Credo e liturgia da Igreja Universal: um caso de antropofagia da fé pentecostal, da religiosidade católico-popular e da religiosidade espírita-umbandista

4.1 Considerações preliminares


A “teologia” e práxis da Igreja Universal tem sido modificada com o tempo, no compasso de um incessante esforço de propaganda, de acordo com os princípios que regem a vida do bispo Macedo, os quais podem ser enfeixados sob a insígnia daquilo que “dá certo”, o que o inscreve no rol do pragmatismo que caracteriza as igrejas ditas “neopentecostais”.

Entretanto, mais do que simples associação de marketing e pragmatismo, pode-se reconhecer na IURD um fenômeno sociologicamente complexo, espiritualmente deletério, eclesiologicamente inusitado, teologicamente canhestro, moralmente reprovável e culturalmente tupiniquim, a saber, uma antropofagia da fé, nesse caso dirigida a elementos evangélico-pentecostais, da religiosidade católico-popular e de crenças e ritos das religiões de matriz africana.

 A expressão “antropofagia da fé” é de Ronaldo de Almeida, citado por Ari Pedro Oro,43 e será de grande valia nesta análise.

Certamente o mencionado estudioso buscou tal expressão no Manifesto Antropófago (ou Antropofágico) de Oswald Andrade, escritor modernista que concebeu um movimento artístico, intelectual e cultural nacionalista de identificação, defesa e reconstrução dos elementos fundantes e culturais brasileiros, assim como de absorção e ressemantização de elementos culturais estrangeiros, a fim de se fomentar uma identidade nacional.

É de se supor que Edir Macedo não tivesse intenções tão elevadas, mas se espera que o conceito de antropofagia da fé se torne mais claro nas linhas a seguir.

4.2. Antropofagia do catolicismo popular e do baixo espiritismo


Não é nova a associação entre a Igreja Universal e a religiosidade popular (católica ou afro-brasileira). Comumente se fala até em “macumba evangélica”.

No mundo acadêmico, estudiosos têm se debruçado sobre diversos aspectos da Universal, entre eles a relação com as crenças e práticas de religiões populares. Podem ser citados nomes como Ricardo Mariano, Ari Pedro Oro, Ronaldo de Almeida, Mariza de Carvalho Soares, Leonildo Silveira Campos, dentre tantos outros.

O ,pastor Paulo Romeiro em sua série Encontros Apologéticos, no Youtube, faz uma brilhante exposição com o título Neopentecostalismo e Religiões Afro.44

No artigo “O neopentecostalismo macumbeiro”, Ari Pedro Oro,45 professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), comenta duas características da IURD que contribuem para torná-la uma “igreja neopentecostal 'macumbeira'”, as quais seriam sua “religiofagia” (apropriação e reelaboração de elementos de crenças de outras igrejas e religiões, notadamente afro-brasileiras); e a “exacerbação”46  desses elementos de crenças e das práticas ritualísticas, o que a conduziria paradoxalmente a uma aproximação daquilo que tanto rechaça em seu discurso.

Com “religiofagia” ou “fagocitose religiosa” - esta uma outra expressão de Ronaldo de Almeida - quer-se referir à apropriação e ressignificação de crenças, práticas e rituais de outras religiões.47

É nessa esteira que Ronaldo de Almeida afirma ter a IURD elaborado “uma antropofagia da fé inimiga”,48 para asseverar, com acuidade, que “o culto de libertação pode ser lido como uma inversão simbólica dos rituais encontrados nos terreiros”49  e também um “contrafeitiço diante do feitiço das religiões afro-brasileiras”.50

Em artigo intitulado Os exus na Umbanda e na Igreja Universal do Reino de Deus, o cientista social Thiago Angelin  Bianchetti51 traça um paralelo entre as concepções afro-brasileira e iurdiana dos exus, e recorre ao conceito de “inversão simbólica”.

É em tudo lamentável que tais coisas possam ser ditas a respeito de uma igreja supostamente evangélica e pentecostal, mas o que dizem os referidos estudiosos é o retrato da verdade. Senão vejamos:

A Universal surgiu com exorcismos, atividade que seria explicada por Edir Macedo no best-seller Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou demônios?, onde esse trabalho é, já no Prefácio, definido como “obra de libertação”.52

No referido livro, chamado em sua biografia autorizada de “manual do exorcismo”,53 Edir Macedo, embora com o intuito declarado de combater as práticas e credos de religiões afro-brasileiras, assume como verdadeiras crenças que não se coadunam com as Escrituras, pautando-se primacialmente em experiências, e não na revelação da Palavra de Deus.

A obra, bem redigida e vertida numa linguagem coloquial, próxima da linguagem falada, discorre sobre diversos temas que contribuem para se compreender a teologia de Edir Macedo e da Igreja Universal.

Assim, são tratados assuntos diversos, a seguir sintetizados: a existência de algo que se convencionou denominar “maldição hereditária”; possibilidade de crentes em Jesus Cristo serem vitimados por enfermidades de fundo espiritual; especulações acerca da relação entre influência demoníaca, como causa, e enfermidades, como efeito; possessões parciais (em partes do corpo); afirmação de que “todas as pessoas que vivem querendo morrer são endemoninhadas”;54 uma interpretação de Ml 3.10,11 segundo a qual “espíritos devoradores” atuam na vida daquele que não contribui com dízimos e ofertas; necessidade de cobrar de Deus aquilo que Ele prometeu; necessidade de participação em reuniões da própria Igreja Universal para alcance da libertação.

Há na referida obra uma linguagem bíblica e evangélica, menções às Pessoas da Trindade, transcrições de passagens bíblicas, mas com uma perspectiva de orientação espiritualista, dada a ênfase em espíritos sem corpo que, por meio de possessões e “escostos”, seriam os responsáveis pela maldade no mundo.

Em determinado momento, Macedo se refere às pregações de Martinho Lutero e John Wesley, bem como à doutrina do batismo no Espírito Santo, mas para postular a necessidade de uma ênfase na luta contra os demônios.55

A distinção que Macedo faz em relação à mensagem do batismo no Espírito Santo é interessante porque, de fato, uma das marcas do “Neopentecostalismo” é o destaque para ações de “libertação” (exorcismo), enquanto as igrejas pentecostais mais antigas destacavam o batismo com fogo evidenciado por línguas, a evangelização, os dons de curar e a iminente volta de Cristo.

Em sua peroração sobre a diferença entre “igrejas fortes” e “igrejas fracas”, Macedo supõe existir, talvez por pilhéria, um demônio chamado “exu tradição”, responsável por apego exagerado a usos, costumes e normas eclesiásticas, o que conduziria a coisas fúteis, deixando de lado a obra de libertação.56

A cosmovisão de Edir Macedo retratada no mencionado livro é a de alguém que enxerga um mundo dominado e regido por seres espirituais que dão causa ao mal e ao sofrimento, como nas religiões animistas da África subsaariana ou em religiões orientais.

A própria nomenclatura empregada no livro (como, por exemplo, “encostos”), os conceitos e a ênfase que Edir Macedo empresta à influência de demônios, todo esse repertório sugere tratar-se de um homem que em algum momento da vida esteve próximo de experiências espiritualistas, até que ele mesmo o diz.

De fato, Edir Macedo conta que, em seu infância, seu pai, a fim de descobrir se ele e o irmão haviam feito algo errado, os ameaçava dizendo que iria perguntar “aos espíritos do centro”, o que lhes causava “muito medo”, pois, segundo ele, “sabíamos que os espíritos quase sempre acertavam”. E prossegue: “é bom lembrar que naquela época eu também estava no engano”.57

Em sua biografia autorizada, Macedo afirma que “nesse tempo [por volta dos 17 anos de idade] já tinha visitado centros de espiritismo com meu pai, como o Santo Antônio de Pádua. Levava passe e tudo, mas não me acrescentou nada”.58

Leonildo Silveira Campos informa que, ao fundar a IURD, Edir Macedo era “um ex-católico e ex-umbandista”,59 o que também é apontado por AriPedro Oro,60 que, por sua vez, deixa um questionamento: “É de se perguntar até que ponto todo esse caráter mimético da Iurd não tem a ver com a própria trajetória pessoal de seu fundador, que conheceu e transitou por diferentes igrejas e religiões antes de fundar a sua própria igreja”.61

No livro O bispo: a história revelada de Edir Macedo, o fundador da Universal assim se expressa quanto ao Espiritismo:
“Eu não acredito. Frequentei um centro espírita três vezes por semana quando era adolescente no Rio de Janeiro. Passei por inúmeras consultas com um médico espírita chamado Santos Neto, que mais tarde virou deputado federal. Ele fazia cirurgias espirituais para os mais variados tipos de doença. Na época, eu tinha verrugas espalhadas por todo o corpo. Eram uns caroços enormes, que me incomodavam bastante. Quando cheguei diante do tal médico, ele me perguntou qual era minha maior verruga. Depois que mostrei, disse que iria fazer desaparecer tudo em sete dias. Todo vestido de branco, fez o sinal da cruz sobre a verruga e repetiu algumas palavras de reza. Após uma semana, todas desapareceram de fato. Tempos depois, voltaram maiores e em maior quantidade”.62
Importa recordar que, em suas declarações sobre a fé inteligente e a prosperidade financeira, Edir Macedo recorre ao princípio de que acredita naquilo que “dá certo”. Esse é o seu critério para o reconhecimento da verdade. As verrugas voltaram maiores e em maior quantidade? Então, o Espiritismo está errado. Por outro lado, os demônios são expelidos diante de sua “obra de libertação”? Então, o caminho é prosseguir com a obra.

Todavia, pari passu à repulsa de Edir Macedo às doutrinas espíritas, o sincretismo religioso com o próprio Espiritismo e religiões afro-brasileiras é um dos pontos característicos da seita que dirige.

Para se ter uma visão panorâmica do problema, segue uma tabela com algumas crenças e práticas da Universal que a aproximam das religiões de matriz africana e, de modo geral, do Espiritismo:

Crenças e práticas da IURD que a aproximam do gradiente espírita-umbandista
  • Cosmovisão pagã, espiritualista, maniqueísta de que o mundo estaria infestado de entes espirituais sem corpo, principais causadores de males como o alcoolismo, o uso de drogas, a prostituição, o endividamento, as enfermidades físicas e psíquicas, a perda de emprego, o insucesso profissional ou empresarial, as dificuldades no relacionamento amoroso e toda espécie de sofrimento.
  • Emprego da nomenclatura espiritualista (“encosto”, “carrego”, “pai-de-encosto”, “mãe-de-encosto”, “trabalho”, “descarrego”, “amarrar”, “amarrado”, “despacho”, “despachar”).63
  • Uso de objetos com poderes mágicos, sejam os já empregados nas religiões do gradiente espírita-umbandista (bala, fita, água fluidificada, rosa, sal, óleo, ramo de arruda etc.), sejam outros (shampoo, sabonete, brinquedos, garrafas, sabão em pó, saco de lixo, travesseiro).64
  • Uso ritual da cor branca (roupa branca, toalha de mesa branca).
  • Função ritual de “ex-pais-de-encosto” e “ex-mães-de-encosto”, considerados com capacidade de liderança, aconselhamento e poder sobre as entidades, dada sua experiência pregressa.65
  • Ritos de “fechamento de corpo” e “correntes de mesa branca”.66
  • Sessões Espirituais de Descarrego e Reuniões de Libertação que parecem sessões espiritualistas, com o “círculo da divindade” formado por pastores e por “ex-pais-de-encosto” e “ex-mães-de-encosto”.67
  • Invocação coletiva das entidades, seguida de despacho coletivo de demônios, como nas chamadas coletivas de “entidades”, nas reuniões de religiões afro-brasileiras, para depois serem despachadas em conjunto.68
  • Sincretismo com a religiosidade católica popular, também ritual, materializada e mediada por sacerdotes.

Segundo Ricardo Mariano, citado por Ari Pedro Oro, a IURD “também reconhece o dia de São Cosme e Damião, ocasião em que costuma oferecer 'balas ungidas' para crianças que vão aos cultos, lembrando, nesse caso, a prática de dar doces aos erês na umbanda”.69

Um aspecto muito importante é que, para Edir Macedo, ex-pais-de-santo e ex-mães-de-santo, mesmo depois de “libertos”, mantêm os poderes anteriormente experimentados. Confira-se:
“Dedico esta obra a todos os pais-de-santo e mães-de-santo do Brasil porque eles, mais que qualquer pessoa, merecem e precisam de um esclarecimento. São sacerdotes de cultos como umbanda, quimbanda e candomblé, os quais estão, na maioria dos casos, bem-intencionados. Poderão usar seus dons de liderança ou de sacerdócio corretamente, se forem instruídos”.70
Essa declaração reforça a tese de que a cosmovisão de Edir Macedo seria pagã, dualista, espiritualista, enfim, não cristã, sendo necessário apenas, para ele, escolher o lado certo da batalha.

Ricardo Mariano71 colhe um trecho de matéria do jornal O Dia para ilustrar a semelhança entre a Sessão do Descarrego e os ritos da Umbanda. Confira-se:
Um homem todo de branco comanda o culto, cercado por pomba-giras, exus e pretos-velhos. Os auxiliares também se vestem do branco mais puro e acreditam nos poderes do sal grosso e do galho de arruda. Que religião é essa? Ihih, se vossuncê, respondeu umbanda, está errado, mizim fio. O culto – bata a cabeça – é da Igreja Universal do Reino de Deus. Saravá. A Sessão do Descarrego – esse é o nome propagado pela própria igreja – faz sucesso às terças-feiras, na Catedral da Fé [...]. É o momento, pregam os pastores, de retirar os encostos dos fiéis”.
Por oportuno, examine-se este trecho do já citado relatório da Comissão Permanente de Doutrina da IPB sobre a IURD:
“A IURD não somente emprega práticas pagãs supersticiosas; usa também a nomenclatura do baixo espiritismo para se referir às entidades espirituais malignas. Enquanto que as Escrituras silenciam quanto aos nomes dos demônios, mencionando apenas por nome o líder deles, Satanás, a IURD se utiliza da nomenclatura afro-brasileira dos deuses da Umbanda para dirigir-se aos demônios, identificá-los e eventualmente expulsá-los. 'Tranca ruas', 'pomba gira', 'exús', 'caboclos', 'preto velho', etc., são nomes normalmente empregados nos cultos de libertação. Contrariando o ensino bíblico do culto ao Deus vivo em espírito e verdade, e introduzindo elementos, nomenclatura e conceitos pagãos na sua liturgia, a praxis da IURD representa uma desfiguração e deformação do culto evangélico, terminando por praticar de outra forma a superstição e a ignorância religiosa que condena no catolicismo e espiritismo brasileiros”.72
Ao lado de uma linguagem bíblica, evangélica e pentecostal, tem-se na Igreja Universal um arsenal de superstições e doutrinas similares às religiões de matriz africana, o que pode ser explicado, ao menos parcialmente, pela influência da cultura brasileira na personalidade de Edir Macedo.

Vale, neste passo, recorrer às palavras do próprio Edir Macedo: “Se uma pessoa chegar à Igreja no momento em que as pessoas estão sendo libertas, poderá pensar que estão em um centro de macumba, e parece mesmo”.73

Apesar de suas assombrosas peculiaridades, a demonologia da Universal não é um corpo isolado em termos teológicos, havendo um amplo e multifacetado movimento de “libertação” proposto por diferentes grupos pelo mundo. Trata-se do chamado “Movimento de Batalha Espiritual”.

Em seu excelente livro O que você precisa saber sobre batalha espiritual, Augustus Nicodemus Lopes explicita os principais ensinos e práticas do Movimento de Batalha Espiritual, bem como suas origens, proponentes, tendências, as passagens bíblicas recorrentemente utilizadas para sustentar suas doutrinas e como a experiência pessoal é tomada como prova das ideias ali defendidas. O autor faz na obra uma refutação técnica, abrangente e cuidadosa aos postulados desse movimento, no qual se insere a Igreja Universal.74

Citando David Powlison, o teólogo presbiteriano alude ao “ministério ekbalístico” ou “modo ekbalístico de ministério” como traço relevante dos grupos de batalha espiritual, dependentes que são de “ministérios de libertação” (expulsão de demônios).75 A expressão decorre do termo grego ekballo (“expulsar, expelir”).76

A Igreja Universal, que está evidentemente inserida no Movimento de Batalha Espiritual, fornece sua contribuição peculiar ao assumir, sem constrangimento e com enorme criatividade, noções próprias do mundo espírita-umbandista, assim como nomes, conceitos, cores e rituais. Desse modo, pode-se afirmar que até nisso a Universal é um caso à parte.

4.3. “Respingos” de Teologia da Prosperidade


Um dos elementos destacados da IURD é a mensagem de que a fé consiste num investimento para retorno em todas as áreas da vida (finanças, casamento, saúde, profissão, bem-estar emocional), uma abordagem estritamente vinculada à ação de arrecadação financeira em prol da seita.

Proposições da Teologia da Prosperidade constituem, de fato, marca relevante da Igreja Universal, o que Edir Macedo afirma explicitamente em entrevistas77 e pregações.78  Isso é verdade porque, em seu empreendimento arrecadatório, os bispos tecem comentários sobre como Deus é compelido a abençoar, em todas as áreas, aqueles que contribuem financeiramente com a seita.

Em O bispo: a história revelada de Edir Macedo, o fundador da IURD expressa sua convicção no que chama de “toma lá, dá cá”, ou seja, o uso da fé como “moeda de troca com Deus”, na qual o fiel entrega dízimos e ofertas para ser abençoado.79

A ênfase que Edir Macedo atribui ao conceito de “fé inteligente” ou “fé racional” em contraposição à “fé emotiva”80  não é mero jogo de palavras, mas comprovação de que seu ensino se insere na Teologia da Prosperidade, pois uma das abordagens dessa corrente teológica é a conceituação de fé como um tipo de mecanismo ou princípio cósmico que, quando acionado, promove mudanças no mundo material, espiritual e psíquico. Macedo chega a afirmar que “Deus funciona apenas de acordo com a fé.81

Entretanto, é importante distinguir as figuras de Edir Macedo e R. R. Soares, pois, enquanto o primeiro é mais superficial em sua defesa teológica, embora provido de acentuada persuasão, R. R. Soares parece mais professoral e doutrinal, com capacidade de esmiuçar mais eficazmente os cânones teológicos do movimento a que está filiado, e que aprendeu junto a personagens como o americano T. L. Osborn.

Na importante e conhecida obra Cristianismo em Crise, Hank Hanegraaff82 expõe a origem, natureza, teologia e principais líderes da Teologia da Prosperidade nos Estados Unidos, provando tratar-se da importação de crenças orientais e adaptação ao pragmatismo americano, com ensinos extraordinariamente errados acerca de Deus, do Homem, da morte de Cristo, da prosperidade. Há naquele movimento um componente ocultista, místico, de pensamento positivo, verbalização positiva, reprogramação mental, visualização, leis cósmicas, poderes que vêm de dentro do próprio homem.

Em Supercrentes: o evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade, Paulo  Romeiro estuda o fenômeno em terras brasileiras. Ele ensina que “a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo Edir Macedo, possui alguns respingos do Movimento da Fé. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada” [grifos acrescidos].

Note-se que Romeiro não emprega em vão o termo “respingos”, pois nos ensinos da Universal a Teologia da Prosperidade parece servir mais como um instrumento de retórica, para arrecadação de dinheiro, do que propriamente um sistema de credo.

Em ambos os casos - o americano e o brasileiro - à importação de doutrinas estrangeiras se associa a cultura nacional, com um resultado necessariamente contrário à Fé Cristã. Entre os americanos, o caldo de cultura da Teologia da Prosperidade foi o utilitarismo e pragmatismo impregnados na sociedade; entre os brasileiros, há o que Augustus Nicodemus Lopes chama de “alma católica dos evangélicos no Brasil”,83 proveniente de uma herança supersticiosa arraigada no país.

Em termos de ação arrecadatória, Edir Macedo e seus sequazes promovem um imenso esforço de propaganda e ocupação de espaços, que começou nas entrevistas com demônios, avançou para a mídia e a política, ergueu catedrais, criou um sincretismo entre a fé evangélica e as religiões de matriz africana, e edificou o Templo de Salomão. Tudo isso foi acompanhado por invenções tão criativas como alienadas da Bíblia, tais como as “Sessões do Descarrego”, a “Nação dos 318”, a “Fogueira Santa de Israel” e tantas outras ações de marketing religioso.84

A construção do Templo de Salomão, na cidade de São Paulo, e todo o repertório de traços judaizantes que a acompanhou, se inscreve nesse cenário, não como atestado de adesão da Universal ao Movimento Judaizante, mas como peça de marketing, afinada com a livre manipulação do Antigo Testamento como mero pretexto de fé.

Portanto, não parece que a Teologia da Prosperidade possa ser tomada como o elemento mais relevante para definir a Universal, mas, sim, como uma ferramenta entre tantas outras.

5. A Umbanda como síntese nacional entre Espiritismo Kardecista e religiões afro-brasileiras

Assim como a Igreja Universal, a Umbanda também é uma seita brasileira decorrente da fusão de elementos religiosos da cultura nacional.

Renato Ortiz explica a Umbanda como “uma síntese do pensamento religioso brasileiro”, com elementos brancos, negros e índios, resultado do “empretecimento da ideologia kardecista” e do “embranquercimento da cultura negra.”85 
Seria ela uma religião criada por intelectuais a partir da década de 1920 e de crescimento acentuado a partir de 1930, tendo o ano de 1941 como marco oficial, quando do Primeiro Congresso Umbandista.86

Seria a Umbanda, ainda, fruto de um Brasil mais “moderno”, porque urbano e industrializado, principalmente no Sudeste, região em que a religião nasceu.87 A Umbanda seria um dos “cultos de possessão”, forjada em sincretismo religioso entre Espiritismo Kardecista, Catolicismo Romano e religiões afro-brasileiras,88 com tentativa de explicação científica e racional por parte dos “intelectuais da Umbanda.”89

Esses intelectuais teriam buscado uma “legitimação racional”, uma padronização e sistematização da doutrina umbandista, para possivelmente dominar o “mercado religioso”, segundo Renato Ortiz, por meio da padronização do produto.90

Estudiosos supõem que a Umbanda pretendesse branquear a religião africana e, com isso, atrair os clientes do campo religioso mediúnico, já que, para a classe média urbana o Candomblé e grupos similares adotariam costumes entendidos como primitivos e rudes. Assim, importando o processo evolutivo kardecista como eixo doutrinário, os intelectuais umbandistas propunham um aperfeiçoamento da religiosidade de matriz africana e uma dependência menor de ritos.

6. A Cultura Racional e sua tentativa de sistematização de uma doutrina espiritualista brasileira

A seita Cultura Racional, que na década de 1970, em seu ápice, daria inspiração a discos do cantor e compositor Tim Maia, foi criada em 1935, na cidade do Rio de Janeiro, por Manoel Jacintho Coelho, um médium da Umbanda.91

Coelho escreveu mais de 1.000 volumes de uma coleção intitulada Universo em Desencanto, fundamento “racional” da religião nascente. Referências ao “espiritismo” vinham em críticas àquela religião e, ao mesmo tempo, no uso de linguagem similar, roupas brancas e incorporação de espíritos do “mundo invisível”.

A Cultura Racional não se apresentava, a princípio, como religião, mas como “movimento cultural” por meio do qual o homem conheceria sua origem, natureza e destino.92 O conhecimento teria sido dado a Manoel Jacintho Coelho pelo Racional Superior, uma entidade divina. A salvação dar-se-ia pela leitura dos livros da coleção, todos escritos pelo fundador da seita.

7. Igreja Universal, Umbanda e Cultura Racional: função terapêutica; função de integração na sociedade urbano-industrial; sincretismo religioso e disputa do campo mediúnico

De algum modo, a Igreja Universal do Reino de Deus, a Umbanda e a Cultura Racional, todas nascidas na cidade do Rio de Janeiro, abeberam-se na fonte das religiões de matriz africana. Mais do que isso, todas elas resultaram de processos formativos artificiais e meteóricos, seja por tentativa e erro (IURD), seja por doutrinação intelectual (Umbanda), seja, ainda, por simples letramento (Cultura Racional).93

Como já demonstrado, o fato de a Universal criticar a Umbanda e congêneres não invalida a hipótese de que se trata de uma origem menos evangélica do que se pensa, assim como a Cultura Racional não deixa de pertencer ao gradiente espírita-umbandista pelo fato de criticar o espiritismo.

Sociologicamente, tanto a Universal como a Umbanda nasceram em momentos de transformação da sociedade brasileira, com progressiva industrialização e urbanização, o que provocou instabilidade social e emocional nos contingentes populacionais que migravam do campo para a cidade.

A obra Católicos, protestantes, espíritas, organizada por Cândido Procópio de Camargo, explica o processo histórico da Umbanda e sua dupla função terapêutica e de integração social. Publicado em 1973, o livro capta, ainda, o contexto histórico-social que levaria, pouco depois, ao nascimento da Universal.

Diante desse cenário de transformações, ambas as seitas foram estimuladas e favorecidas pelo desempenho de uma função terapêutica, no sentido de socorrer os desajustados, enfermos e oprimidos, mas trilharam caminhos diversos: enquanto a Universal se hospedou na linguagem evangélico-pentecostal, a Umbanda criou toda a sua doutrina a partir dos postulados de religiões como o Candomblé, o que disfarça a realidade de que tanto uma como outra são caudatárias do baixo espiritismo influente na sociedade brasileira.

Outro aspecto digno de nota é que a Universal e a Umbanda resultaram de processos de reinterpretação de antigos cânones religiosos, com uma correspondente mistura (sincretismo), com a diferença - já mencionada - de que a primeira recorreu à tentativa e erro, ao passo que a outra se pautou por doutrinação intelectual.

Dessa forma, função terapêutica, função de integração na sociedade urbano-industrial, sincretismo religioso e disputa do campo religioso mediúnico são fatores que aproximam a IURD da Umbanda.

O mesmo se pode afirmar quanto à Cultura Racional, com o elemento adicional do suposto oportunismo financeiro, que a torna ainda mais parecida com a Universal. Senão vejamos:

Segundo Ricardo Neumann, o fundador da Cultura Racional investiu no letramento como meio exclusivo de salvação porque mirava no crescente mercado religioso mediúnico, que, não obstante, buscava uma religião mais “racionalizada” e menos vinculada ao “caráter ritual”.94 Enfim, a sugestão é de que o fundador da Cultura Racional buscava dinheiro, algo que Tim Maia, ex-adepto da seita, chegou a afirmar numa entrevista a Jô Soares.95

Outra semelhança entre Edir Macedo e Manoel Jacintho Coelho é a forte presença da personalidade do líder na construção da doutrina e apropriação de ideias religiosas.

É mesmo isso o que diz Neumann sobre o fundador da Cultura Racional, que, de forma “oportunista”,96 teria feito “muito uso daquele momento particular de metamorfose do campo religioso mediúnico, dando ênfase total ao escriturístico em sua criação”, com o objetivo de atrair adeptos a seu movimento mediante uma proposta que atendesse às demandas do seu público religioso, o que incluiu mudança de premissas97 e “estratégia de mercado”.98

Algo parecido ocorreu com Edir Macedo, que vivenciou mudanças significativas no cenário religioso dos anos 1970, quando surgiam inflexões em igrejas do Pentecostalismo de Segunda Onda. Macedo, assim como Coelho fizera em relação à Umbanda, imitou e adulterou o repertório pentecostal.

Em contraste, enquanto Manoel Jacintho Coelho partiu para o letramento e afastamento dos rituais da Umbanda, Edir Macedo buscou a ritualização progressiva do seu culto, no que foi mais bem-sucedido perante sua clientela.

Neumann observa que o destaque ao “caráter ritual” retornaria décadas depois às religiões mediúnicas e principalmente às afro-brasileiras, e que esse mesmo caráter ritual é o “motivo de sucesso das igrejas pentecostais99  e neopentecostais”.100

8. Conclusão

À guisa de conclusão, pode-se afirmar que o autoproclamado bispo Edir Macedo não é um pastor cristão, nem mesmo um teólogo cristão, e a Igreja Universal do Reino de Deus não é cristã, nem protestante, nem evangélica, nem pentecostal, mas uma seita paraprotestante.

A Universal é uma mistura de seita religiosa com empreendimento financeiro que usa a Teologia da Prosperidade, traços judaizantes, mídia, política, marketing e uma adaptação do espiritismo para arrebanhar fiéis e aumentar o seu poder. Indo além, tal seita-corporação praticou uma arrojada antropofagia de credos populares, sincréticos e espiritualistas, para dominar o mercado religioso.

Em geral, as igrejas evangélicas brasileiras têm, em seu catálogo de seitas e heresias, um rol de grupos religiosos considerados seitas, ainda que estas mantenham nomenclatura extraída da Bíblia. Esse estudo, conhecido como heresiologia, é antigo, consolidado e importante.

A própria IURD, em antiga publicação oficial, além de rejeitar seitas e heresias assim classificadas pelo protestantismo, arrola como seita a Congregação Cristã no Brasil, regularmente entendida como igreja pentecostal histórica ou da Primeira Onda do Pentecostalismo.101 Enquanto alguns pensam que nada se pode julgar, a Universal há muito faz seus julgamentos, mas apartada da fé na autoridade e suficiência das Escrituras.

O Kardecismo considera-se cristão, mas não o é, assim como os Mórmons, as Testemunhas de Jeová, grupos unicistas, esotéricos e judaizantes, dentre tantos outros. Ter bem firme a diferença entre Cristianismo e heresia pode ser um indicativo de maturidade cristã e eclesiástica.

Considerar a Igreja Universal do Reino de Deus como evangélica pode ser um sintoma da fragilidade doutrinária da Igreja evangélica brasileira. É fundamental que os cristãos brasileiros identifiquem a Igreja Universal como seita, a fim de que sua influência seja afastada dos púlpitos evangélicos.

Há anos, andou bem a IPB ao empreender estudos sobre a Igreja Universal, e andou melhor ainda quando a definiu como seita.

Desde a época em que a Universal era tida por “igreja menos pura”, aqueles dentre seus membros que pretendessem congregar na Presbiteriana já deviam se submeter tanto à instrução bíblica e confessional quanto à eventual correção de doutrinas e práticas equivocadas, assim como passar por profissão de fé e batismo ainda que batizadas anteriormente.

Mais do que isso, para a assunção de ofícios eclesiásticos e outros cargos de liderança a IPB decidiu exigir um período probatório de um ano; recomendou que os membros não participem de reuniões nem assistam a programas da Universal, e que os líderes presbiterianos não participem de eventos com a presença de líderes daquela agremiação, para não transmitirem a imagem de comprometimento com suas doutrinas e práticas.102

Outras recomendações da IPB são as seguintes: que as Igrejas Presbiterianas não adotem o uso de objetos para estimular a fé; que não se adotem calendários litúrgicos com métodos e costumes da Universal, a exemplo de “reuniões de libertação” e “correntes de oração para prosperidade”; e que se não se imitem os métodos de crescimento de igreja empregados pela Universal.

Deveriam as demais igrejas palmilhar caminho semelhante, não aceitando egressos da IURD como membros antes do rebatismo, e tornando exigível que nos sermões e outras atividades o obreiro se afaste de conceitos, ideias e recursos importados daquela seita.

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Alex Esteves Sousa

Alex Esteves Sousa

Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia. Bacharel em Direito. Cursou disciplinas de bacharel em teologia na Faculdade Theológica – FATHEL (presencial) e na Faculdade Internacional de Teologia Reformada – FITRef (à distância), bem como disciplinas de Especialização em Estudos Teológicos no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper – CPAJ (à distância), vinculado à Universidade Presbiteriana Mackenzie. É professor de jovens na escola bíblica e um dos pastores auxiliares da Assembleia de Deus na Pituba. Mantém os blogs alexesteves.blogspot.com e pentecostalhistorico.blogspot.com, além de canal no Youtube e página no Facebook com o nome “Pentecostal Histórico”. Servidor público federal. E-mail: alexesteves.rocha@gmail.com.